Alexandre Cordeiro, presidente da C&C (Portugal)


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“Pouco a pouco as auditorias de comunicação vão ganhando espaço em Portugal, principalmente em empresas grandes, que são as primeiras a perceberem os benefícios e as vantagens desta ferramenta”. A análise é de Alexandre Cordeiro, presidente da C&C – Consultores de Comunicação.

Alexandre Cordeiro, da C&C

Em entrevista ao PR Interview, o profissional fala, entre outros pontos, sobre a elaboração de manuais de comunicação. Esta prática, segundo Cordeiro, é “cada vez mais importante em todas as empresas e organizações que pretendem prevenir e manter programas e sistemas permanentes de gestão de crise”.

C&C - Consultores de Comunicação, de Portugal

Acompanhe a seguir os principais trechos desta entrevista:

PR Interview: Você é licenciado em Economia. Como essa formação te ajuda, no dia a dia, a ser profissional de comunicação?

Alexandre Cordeiro: Certamente que a minha formação em Economia tem sido uma vantagem para mim como profissional da comunicação. Permite uma compreensão mais profunda e mais rápida dos objetivos e dos processos, entre outros pontos. De fato, a experiência jornalística aliada à formação econômica permitiu-me sempre entender melhor os mecanismos da comunicação corporativa, institucional, financeira e de produto.

PR Interview: A sua passagem pelo jornal Expresso também te oferece um bom embasamento?

Alexandre Cordeiro: Certamente que – pela inovação e pelo pioneirismo – foi uma experiência inesquecível a criação, em 1973, da editoria de Economia do jornal Expresso. Adquiri o gosto pela comunicação desde que, aos 14 anos de idade, comecei a  aprender a fazer jornalismo na imprensa regional da minha terra, mais precisamente no jornal “Terra Alta”, de Castelo de Vide, no Alentejo.

PR Interview: Focando agora em assessoria de imprensa, como são realizadas as auditorias de comunicação em Portugal?

Alexandre Cordeiro: Pouco a pouco as auditorias de comunicação vão ganhando espaço em Portugal, principalmente em empresas grandes, que são as primeiras a perceberem os benefícios e as vantagens desta ferramenta. Da minha experiência posso citar dois casos recentes: uma empresa de elevadores e outra de tintas.  Em ambos os casos, a necessidade das auditorias surgiu por razões de comunicação interna de determinadas alterações estratégicas. O levantamento efetuado determinou os fluxos reais de comunicação interna  dentro de cada organização e permitiu perceber quais os nódulos vitais de transmissão da informação e a credibilidade dos agentes transmissores. Os resultados permitiram primeiro definir e depois implementar uma estratégia sólida de comunicação, visando alcançar os objetivos pré-definidos em cada caso. Aplicados em primeiro lugar à comunicação interna, os resultados dessas auditorias foram depois também muito úteis na definição de uma política de porta-vozes em relação ao mercado.

PR Interview: Uma outra atividade realizada pela C&C é o trabalho de identificação de potenciais cenários de crise. Há uma metodologia própria?

Alexandre Cordeiro: Identificar os principais cenários  de potenciais crises é, nos dias de hoje, cada vez mais importante em todas as empresas e organizações que pretendem prevenir e manter programas e sistemas permanentes de gestão de crise. A metodologia é muito simples e muito idêntica à metodologia de gestão de riscos. Passa por listar o mais exaustivamente possível todos os riscos conhecidos na empresa e no setor de atividade em que a mesma se insere, ou seja, os que são logicamente previsíveis. Depois, o mais difícil é sempre pontuar os riscos imprevisíveis; uma metodologia possível que temos utilizado na minha consultora é listá-los depois de uma ou mais sessões de “brainstorming” puro com gestores e diretores da empresa.

PR Interview: Para finalizar, em Portugal, quais critérios são levados em conta para a elaboração do Manual de Comunicação de Crise?

Alexandre Cordeiro: Para ser funcional e eficiente, um Manual de Comunicação de Crise deve ser essencialmente prático, abrangente e ajustado à realidade da empresa e dos ambientes que a rodeiam (setor e natureza da atividade, região ou regiões de implantação etc). Ou seja, não há nem pode haver um Manual tipo standard que possa ser eficiente e útil. Depois, o documento deve ser testado, por exemplo, nos seminários periódicos de “crisis preparedness”.  E – porque as crises não têm hora marcada – deve ser comunicado a todos os trabalhadores da empresa por meio de uma versão-resumo que se aconselha que todos possuam no trabalho, em casa e no bolso.

Sobre Rodrigo Capella

Diretor da Pólvora PR, Assessor de Imprensa e Estudioso da Comunicação Digital, Rodrigo Capella já ministrou, desde 2008, mais de 350 palestras e cursos em eventos, associações, empresas e universidades, como Banco do Brasil, Novartis, Rotary Club, ESPM, FMU, Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará, Congresso Internacional para Líderes da Comunicação, Social Media Vale do Paraíba e Seminário “Mídias Digitais e Transformação Social”, realizado em Aracaju pelo Governo de Sergipe. Além disso, o profissional foi professor de Comunicação Digital da pós-graduação da PUC-PR, da UNA-BH e da Universidade Anhembi Morumbi-SP. Capella é também autor de diversos livros, como “Assessor de Imprensa: fonte qualificada para uma boa notícia” e de “Rir ou Chorar”, biografia do cineasta Ricardo Pinto e Silva coordenada por Rubens Ewald Filho. E-mail: capella.rodrigo@gmail.com
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2 respostas para Alexandre Cordeiro, presidente da C&C (Portugal)

  1. Rafaela, realmente, observar, previamente, uma eventual crise é um diferencial competitivo dos profissionais!! Abs. Capella.

  2. Acredito que um dos pontos mais interessantes dessa entrevista é a visão do Alexandre Cordeiro sobre a identificação de potenciais crises. Até hoje, muitas empresas esperam o pior acontecer para depois tentar “remendar” a sua imagem perante o público. No entanto, esta situação pode tornar-se extremamente danosa. Vale a pena se atualizar e verificar com afinco esta questão apontada pelo executivo. Para os novos profissionais que querem atuar nesse campo, também é uma maneira de estarem à frente e oferecerem um serviço de mais qualidade aos clientes.

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