Rodrigo Cogo, gerenciador do Portal Mundo-RP (Brasil)


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“Não vejo nenhuma profissão formal como mais adequada para projetos com storytelling. Trata-se de uma perspectiva de criação de conteúdos comunicativos que pode surgir de publicitários, jornalistas, relações públicas, historiadores, escritores, antropólogos, sociólogos, cineastas, educomunicadores”.

Esta opinião é de Rodrigo Cogo, gerenciador do Portal Mundo-RP.

Em entrevista ao blog PR Interview, Cogo aponta o que as empresas estão fazendo de certo e errado e apresenta projetos de sucesso com storytelling.

Confira os principais trechos da entrevista:

PR Interview: O que as empresas fazem de errado quando usam o storytelling?

Rodrigo Cogo: Percebe-se ainda a prevalência de uma visão mercadológica na feitura de peças comunicativas baseadas no storytelling, o que leva a explorar mais atributos de produto e racionalidades do que o potencial da subjetividade e da emoção. Há uma estética e uma roteirização ainda muito “fakes” ou construídas artificialmente, querendo dar impressão de espontaneidade e de tom confessional – questões típicas quando se fala de storytelling como narrativa da experiência -, mas que realmente não convencem. Se juntarmos o ceticismo e a crítica já normais do público espectador/leitor sobre os efeitos da publicidade, a situação só piora. Em resumo: não dá pra criar, planejar, organizar, produzir conteúdos em storytelling com o “mindset” da comunicação publicitária. Vejo como muito mais efetivo o storytelling a partir do ponto-de-vista institucional, mesmo que fale sobre produtos e seus usos.

Rodrigo Cogo, do Portal Mundo-RP

PR Interview: Você disse que ainda existe uma estética e uma roteirização ainda muito “fakes”. Como isso ocorre?

Rodrigo Cogo: Penso que existe uma tendência a utilizar raciocínios e propostas criativas semelhantes da publicidade convencional, que não colam quando a ideia é buscar adesão por simpatia a uma causa, a um estilo de vida, a uma postura. Isto decorre de agências e profissionais que são “faz-tudo” ou como modernamente se chama “comunicação 360 graus” – aparece uma nova proposta no mercado, sim eles fazem. Eles fazem tudo, mas não raro fazem mal.

PR Interview: E o que as empresas fazem de certo em projetos de storytelling?

Rodrigo Cogo: Depois de quatro anos estudando o tema, vejo que os melhores trabalhos em storytelling ou inspirados neste formato procuram uma maior participação dos públicos na coleta e disponibilização das histórias, saindo do autoritarismo dos setores de comunicação empresarial ou das agências da área de decidir tudo em gabinetes. Agindo assim, certamente derivarão conteúdos que veiculam uma só voz, mas numa sociedade que se encaminha para a pluralidade de visões e sentidos. O que me parece que funciona: vídeos com depoimentos diretos da fonte, em fala lateralizada; emergência de emoção sem edição; abertura para vocabulários coloquiais – mesmo que imprecisos na visão da língua formal e erudita; descentralização dos relatos sem prioridade para hierarquias, mas partindo para a significância do depoimento; mensagem de sentido aberto, gerando diversidade de interpretação e complementação por uma plateia que não é mais integralmente passiva.

PR Interview:  Os RPs são mais preparados para desenvolver projetos com storytelling?

Rodrigo Cogo:  Não vejo nenhuma profissão formal como mais adequada para projetos com storytelling. Trata-se de uma perspectiva de criação de conteúdos comunicativos que pode surgir de publicitários, jornalistas, relações públicas, historiadores, escritores, antropólogos, sociólogos, cineastas, educomunicadores – claro que cada área com um lugar de fala predominante, e com know-how que pode servir mais e melhor num determinado trabalho, e não em outro. O que poderia dar alguma vantagem aos oriundos de cursos de Relações Públicas – aí pensando na estrutura brasileira dos currículos, é que o approach é mais institucional, baseado em valores e causas, buscando legitimidade e convencimento pela soma de lógica, ética e emoção.

PR Interview: Para finalizar, quais projetos de storytelling são referências para você?

Rodrigo Cogo: Entre as peças que me chamaram atenção, estão um projeto de segurança no trabalho da mineradora Vale, um site de coleta de histórias da Disney, um concurso de documentários da Fundação CSN, o projeto do carro movido a histórias da Fiat 35 anos e as boas-vindas de bordo da TAM 35 anos.

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Sobre Rodrigo Capella

Diretor da Pólvora PR, Assessor de Imprensa e Estudioso da Comunicação Digital, Rodrigo Capella já ministrou, desde 2008, mais de 350 palestras e cursos em eventos, associações, empresas e universidades, como Banco do Brasil, Novartis, Rotary Club, ESPM, FMU, Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará, Congresso Internacional para Líderes da Comunicação, Social Media Vale do Paraíba e Seminário “Mídias Digitais e Transformação Social”, realizado em Aracaju pelo Governo de Sergipe. Além disso, o profissional foi professor de Comunicação Digital da pós-graduação da PUC-PR, da UNA-BH e da Universidade Anhembi Morumbi-SP. Capella é também autor de diversos livros, como “Assessor de Imprensa: fonte qualificada para uma boa notícia” e de “Rir ou Chorar”, biografia do cineasta Ricardo Pinto e Silva coordenada por Rubens Ewald Filho. E-mail: capella.rodrigo@gmail.com
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2 respostas para Rodrigo Cogo, gerenciador do Portal Mundo-RP (Brasil)

  1. Rafaela, muito interessante o seu comentário. Abs, Capella.

  2. Interessante as observações do Rodrigo Cogo e acho que ele tem razão. Cada profissional ligado, de forma direta ou indireta, à comunicação tem uma maneira diferente de trabalhar com o storytelling e todos têm a possibilidade de criar conteúdos criativos. Acho que cabe a cada um definir qual é a melhor saída para isso.

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