Didier Lagae, da Marco de Comunicación (Espanha)




A Espanha, segundo especialistas, foi um dos países mais atingidos com a crise econômica de 2009. Um ano se passou e já é possível mensurar: as assessorias de imprensa sofreram algum impacto neste país? O que tiveram de fazer para tentar sobreviver?

O PR Interview conversou com Didier Lagae, fundador e CEO da Marco de Comunicación, que já conquistou diversos prêmios importantes como o European Excellence Award,  European Sabre Award e Global Mercury Excellence Awards. Entre os clientes da agência, concentrados nas áreas de tecnologia, consumo, saúde e corporativo, destacam-se contas como Pfizer, Sanofi Aventis e The Economist.


Didier Lagae, CEO e fundador da Marco de Comunicación

Sobre a crise, Lagae destaca: “não se trata de um efeito no mercado de PR. Algumas agências estão se dando bem, mas outras não. E isso acontece em vários países”. Em uma rápida conversa, ele observa também as ações de PR 2.0 e analisa: “alguns clientes nunca ouviram falar de Twitter, podcasts ou grupos virtuais de network”.

Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista:

PR Interview: A crise de 2009 realmente afetou o mercado espanhol de agências de comunicação?

Didier Lagae: Conversando com alguns amigos que são assessores de imprensa em vários países da Europa, começamos a comparar os impactos da crise em nossos negócios. Também conversamos bastante sobre PR 2.0, que está sendo aplicado nas agências.  A recessão econômica é sempre uma faca de dois gumes. Algumas assessorias foram muito afetadas; enquanto outras, como a nossa, têm escapado relativamente sem arranhões até agora. Não se trata de um efeito no mercado de PR. Algumas agências estão se dando bem, mas outras não. E isso acontece em vários países.

PR Interview: E o que as agências espanholas fizeram durante a crise?

Didier Lagae: Algumas agências conseguiram tirar muitas vantagens e investiram na qualidade da equipes, na realização de treinamentos e também na aplicação de sistema de bônus aos profissionais. Algumas agências ampliaram e continuam ampliando os seus horizontes, indo além das relações públicas tradicionais e incorporando, por exemplo, ferramentas de PR 2.0 nos planos de comunicação dos clientes. Em suma, agências precisam se focar em construir relações com os stakeholders, impulsionando as vendas e construindo reputações.

PR Interview: E como você analisa o atual cenário? Os assessores de imprensa da Espanha estão utilizando as ferramentas de social media?

Didier Lagae: Na Espanha e no resto da Europa, especialmente na Europa Continental, a maioria das agências ainda está focada no PR tradicional. Na Marco de Comunicación, nós deixamos isso para trás, construindo relações estratégicas com blogueiros focados em B2B e B2C. Realizamos também campanhas inteligentes em redes sociais, ações em fóruns on-line e ações de marketing viral. Todas essas iniciativas fazem parte de um plano de comunicação que busca a proximidade com os diversos públicos para melhorar marcas, reforçar reputação corporativa e impulsionar vendas.

PR Interview: Mas, todos os clientes estão preparados para este momento social media?

Didier Lagae: Alguns clientes nunca ouviram falar de Twitter, podcasts ou grupos virtuais de network. Mas, tudo bem. Cabe às agências de PR orientar e apontar esses caminhos. Não vendendo apenas aplicativos e novas plataformas, mas incorporando, quando necessário, essas ferramentas nos planos de comunicação. Isso ajuda a desenvolvermos uma estratégia inteligente e a criarmos notícias nas mídias digitais e tradicionais.

PR Interview: Trata-se, então, de uma forma eficaz para se obter retorno?

Didier Lagae: Claro, trata-se de uma ótima maneira. Em muitos casos, as ações especificas têm retorno rápido. Porque, francamente, se houver um retorno sobre o investimento, os clientes não cortarão o orçamento tão facilmente. Pelo contrário, clientes inteligentes poderão até mesmo aumentar o investimento, enxergando uma oportunidade na atual conjuntura econômica. Em suma, as agências que produzirem resultados concretos e que realmente contemplarem o RP 2.0 nos planos de comunicação continuarão a prosperar, mesmo em tempos difíceis. Isso ocorrerá na Europa e em qualquer país.

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Entrevista com Deborah Jacob, diretora-executiva da Hill & Knowlton (Brasil).

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Sobre Rodrigo Capella

Diretor da Pólvora PR, Assessor de Imprensa e Estudioso da Comunicação Digital, Rodrigo Capella já ministrou, desde 2008, mais de 350 palestras e cursos em eventos, associações, empresas e universidades, como Banco do Brasil, Novartis, Rotary Club, ESPM, FMU, Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará, Congresso Internacional para Líderes da Comunicação, Social Media Vale do Paraíba e Seminário “Mídias Digitais e Transformação Social”, realizado em Aracaju pelo Governo de Sergipe. Além disso, o profissional foi professor de Comunicação Digital da pós-graduação da PUC-PR, da UNA-BH e da Universidade Anhembi Morumbi-SP. Capella é também autor de diversos livros, como “Assessor de Imprensa: fonte qualificada para uma boa notícia” e de “Rir ou Chorar”, biografia do cineasta Ricardo Pinto e Silva coordenada por Rubens Ewald Filho. E-mail: capella.rodrigo@gmail.com
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5 respostas para Didier Lagae, da Marco de Comunicación (Espanha)

  1. Pingback: Amitiés » Blog Archive » Especialista espanhol em comunicação corporativa aposta na web e nas mídias sociais

  2. Paulo,

    obrigado pela visita. É sempre interessante e curioso compararmos o Brasil com os outros países para analisarmos as ferramentas utilizadas e tendências. Em relação aos ambientes 2.0, ainda temos um mar pela frente. E os outros países também. Abs.

  3. Paulo Sérgio Pires disse:

    Caro Rodrigo, parabéns pela entrevista, acredito que no Brasil a maioria das agências de Comunicação ainda não descobriu plenamente a internet 2.0. Eles procuram investir mais em mídias sociais onde o investimento é muito baixo. Basta contratar um analista de redes e colocá-lo diante da tela do computador e pronto. É só esperar que o resultado aparece. Os blogs corporativos também já foram mais cortejados. Poucos hoje usam webtvs, podcasts e mídia viral.

  4. Aline,

    Realmente, o pensamento do Didier é muito interessante e poderia ser melhor explorado no Brasil.

    Abs, Rodrigo Capella.

  5. Aline Cruz disse:

    Em tempos de crise é possível enxergar somente problemas ou possibilidades. Os que buscam possibilidades conseguem sucesso, como disse o Didier.

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