Mario Humberg, da CL-A Comunicações (Brasil)
De acordo com Mario Humberg, presidente da CL-A Comunicações, as agências de comunicação do Brasil ainda sentem o reflexo da crise dos anos anteriores.
“A partir da crise de 2008, o mercado se tornou mais difícil, porque muitas agências perderam contas ou tiveram redução de fee. Algumas empresas optaram, inclusive, por pagar a metade do que vinham pagando para as agencias de comunicação”, acrescenta.
Ao PR Interview, Mario comentou também sobre fusões e aquisições. Para o especialista, em muitas vezes, estes processos são comunicados de maneira inadequada e até mesmo injusta com os stakeholders. “Tem casos até em que os funcionários ficam sabendo das informações por meio de um vizinho”, exemplifica Mario, autor de vários livros, entre eles “Ética na Política e na Empresa” e “Implantando programas de ética que dão certo” (nome provisório), que será lançado no primeiro semestre de 2011.
Acompanhe a seguir os principais pontos desta entrevista, realizada em São Paulo, no Restaurante Nello’s:
PR Interview: Qual análise geral você faz do mercado de agências de comunicação?
Mario Humberg: A partir da crise de 2008, o mercado se tornou mais difícil, porque muitas agências perderam contas ou tiveram redução de fee. Algumas empresas optaram, inclusive, por pagar a metade do que vinham pagando para as agencias de comunicação. Nós não tivemos um caso deste tipo, mas o mercado teve. Isso levou, sem dúvida alguma, a uma competição maior e os clientes se sentiram no direito de pedir mais do que vinham recebendo. Essa situação, em minha opinião, ainda não se reverteu, já que a briga por preço aumentou muito, diminuindo a rentabilidade de muitas agências.
PR Interview: Focando agora em fusões e aquisições, você aposta nos crescimento destes processos?
Mario Humberg: Trabalhar com fusões e aquisições é uma das expertises da CL-A. Acredito que até o fim 2010 haverá cerca de 1.000 processos deste tipo, o que demonstra o ótimo momento deste setor para a comunicação. Infelizmente, em muitas vezes, as fusões e aquisições são comunicadas de maneira inadequada e até mesmo injusta com os stakeholders. Tem casos até em que os funcionários ficam sabendo das informações por meio de um visinho.
PR Interview: Qual a melhor maneira de comunicar estes processos?
Mario Humberg: É fundamental termos uma programação e um plano de contingência. Isso porque quem compra uma empresa começa rapidamente a fazer contatos e, desta forma, qualquer tipo de informação pode vazar. No planejamento, devemos informar, por exemplo, o público atingido, as ferramentas utilizadas e as prioridades.
PR Interview: E como ocorre a comunicação para os públicos?
Mario Humberg: Vou te dar um exemplo. Fizemos um trabalho internacional para comunicar a decisão dos acionistas de um grande grupo, que tinha empresas na Europa, Ásia, Austrália, América Latina e América do Norte. De um QG montado em Nova York, enviamos um comunicado para ser entregue a todos os colaboradores do grupo, espalhados por vários países. Ao mesmo, tempo disparamos uma outra comunicação para os clientes locais. Em seguida, uma terceira mensagem foi enviada aos públicos institucionais, como associações, governos, prefeituras e demais entidades. Todos estes comunicados já estavam escritos e aprovados com antecedência, característica necessária em um processo comunicacional como este.
PR Interview: Para finalizar, com quanto tempo de antecedência, o assessor de comunicação precisa se preparar para comunicar um processo como este?
Mario Humberg: Tudo precisa estar pronto com pelo menos dez dias de antecedência. Além disto, é necessário um forte alinhamento com as empresas envolvidas no processo. Em alguns casos, chegamos a ter mais de dez comunicações diferentes durante este tipo de processo, cada uma com uma linguagem e, em alguns casos, com focos distintos, informando, por exemplo, se unidades serão vendidas, se fábricas serão fechadas ou se a empresa terá um novo direcionamento.
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