Daniel Bruin, da BrainPartners (Brasil)




“O conteúdo das mídias sociais deve ser feito somente pelas agências de comunicação e de RP”. Esta é a opinião de Daniel Bruin, diretor-executivo da BrainPartners.

Para o executivo, infelizmente, em muitos casos isto não ocorre. “Muitas agências digitais ainda dizem aos clientes: “nós temos também uma pessoa que pode fazer o conteúdo”, pontua.

Daniel Bruin, da BrainPartners

Daniel Bruin defende que essa lógica “não é correta, pois conteúdo não pode estar ligado a uma tecnologia, mas sim a um posicionamento de comunicação de uma empresa”.

“Há agências digitais que contratam inclusive jornalistas para trabalharem dentro de suas estruturas. Mas, isso também não é adequado, pois este jornalista terá uma atitude reativa, não estará inserido no cotidiano das empresas, não saberá aonde a empresa quer chegar. Será um tapa-buraco e criará mais confusão no mercado”, acrescenta o diretor-executivo da BrainPartners.

Acompanhe a seguir os principais trechos desta entrevista, realizada em São Paulo, no restaurante O Rigoletto:

PR Interview: quais são as atuais ameaças das assessorias de comunicação?

Daniel Bruin: As assessorias de comunicação enfrentam três grandes ameaças. A primeira é a falta de foco. Hoje, elas estão correndo para fazer de tudo e acabam se tornando uma “fábrica de salsicha”. Na ânsia de conseguir cada vez mais clientes e de crescer com rapidez, as agências adotam a postura de oferecer desde a confecção de releases até o desenvolvimento de conteúdos para redes sociais. Vivemos, então, a época do “Eu faço tudo”

PR Interview: E qual é a segunda ameaça?

Daniel Bruin: As agências de publicidade estão entrando com muita força na área de comunicação empresarial. Muitas se apresentam como agências de comunicação. Resultado: os clientes ficam confusos e acreditam, então, que têm dois fornecedores do mesmo serviço. Isso causa uma grande confusão e ocorre, principalmente, porque a verba das agências de publicidade fruto da venda de mídia vem diminuindo de forma drástica. Por isso, para não dependerem somente de mídia, elas acabam fazendo de tudo, inclusive mídias sociais.

PR Interview: Na sua opinião, quem deve conduzir os trabalhos de social media?

Daniel Bruin: As agências digitais devem oferecer monitoramento, ferramentas e plataformas. Mas, o conteúdo das mídias sociais deve ser feito somente pelas agências de comunicação e de RP. Infelizmente, em muitos casos não é o que ocorre. Muitas agências digitais ainda dizem aos clientes: “nós temos também uma pessoa que pode fazer o conteúdo”. Essa lógica não é correta, ela é quebrada, pois conteúdo não pode estar ligado a uma tecnologia, mas sim a um posicionamento de comunicação de uma empresa. Há agências digitais que contratam inclusive jornalistas para trabalharem dentro de suas estruturas. Mas, isso também não é adequado, pois este jornalista terá uma atitude reativa, não estará inserido no cotidiano das empresas, não saberá aonde a empresa quer chegar. Será um tapa-buraco e criará mais confusão no mercado.

PR Interview: Voltando agora às ameaças das agências de comunicação, qual seria a terceira?

Daniel Bruin: A terceira ameaça é a absoluta falta de mão de obra qualificada. Hoje, com o aquecimento do mercado, você não encontra profissionais que entendam a cultura da empresa. As universidades formam pessoas que fazem apenas releases, porque o ensino está calcado neste processo e não forma pensadores. Esta deficiência na formação gera apenas profissionais que vão engrossar a “fábrica de salsicha”.

PR Interview: Para finalizar, como reverter estas três ameaças e oferecer o que o cliente realmente quer?

Daniel Bruin: Nos Estados Unidos, temos o Council of Public Relation Firms, que avalia a estrutura das agências, as entregas e a formação dos profissionais, entre outros pontos. No Brasil, precisamos de algo semelhante. As entidades do nosso setor precisam se reunir urgentemente para estabelecer padrões, analisar a formação de novos talentos e determinar as funções das agências de comunicação, publicidade e digital. Isto precisa ser feito com urgência; antes que saia do controle.

 

 

NO PRÓXIMO POST:

Entrevista com Rodrigo Saraiva, da NextPower (Portugal).

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Sobre Rodrigo Capella

Jornalista, professor, assessor de imprensa, escritor, palestrante, blogueiro e PR. Comunique-se, PR Interview, ComRemix, Nós, O.I, PQN, Mega Brasil, Crise & Comunicação, Abracom e Aberje.
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5 respostas para Daniel Bruin, da BrainPartners (Brasil)

  1. @TSSVeloso,

    Obrigado pela visita e pelo comentário. Muito interessante o seu ponto de vista.

    Abs, Rodrigo Capella.

  2. TSSVeloso disse:

    Bom dia, Rodrigo.

    Antes de mais, parabéns pelo trabalho. Apesar de entender os argumentos apresentados na entrevista, não posso deixar de concordar com a Karan, sobretudo no que respeita à qualidade e preparo de agências digitais.

    Acredito que existe espaço para um terceiro elemento no atual cenário da Comunicação Digital corporativa. Se partirmos da premissa que, nas Mídias Sociais, o conteúdo é Rei, e que é extremamente contraproducente para qualquer empresa apenas falar dela mesma, surge a oportunidade para o outsourcing da Curadoria de Conteúdo e produção de Conteúdo Mínimo.

    Ou seja, trabalhar em parceria com os RPs, que em essência, tratam de falar da empresa, e do seu universo direto de atuação, e as Agências, mais voltadas a Campanhas e promoções.

    Esse trabalho de Curadoria de Conteúdo é focado no que se designa por Temas Transversais, ou seja, assuntos que, não sendo voltados à realidade da empresa, são pertinentes para o seu posicionamento institucional e agregam valor aos seguidores/fãs nas diversas Mídias Sociais.

    É extremamente complicado para RPs e Agências fazerem este trabalho, que é baseado na pesquisa e acompanhamento de assuntos como Ambiente, Educação, Cultura, Saúde e tantos outros Temas Transversais que são verdadeiramente apreciados pelos internautas.

    A verdade é que, para existir interação e engajamento com a empresa, é necessário sair do seu “casulo”, e não se tornar naquele “cara chato”, que só fala dele mesmo, o tempo todo.

    E alguém precisa cuidar disso, com o acompanhamento e supervisão dos RPs e Marketing das empresas.

    Continuem com o excelente trabalho!

    @TSSVeloso

  3. Karam,

    muito obrigado pela visita e pelo comentário.

    Abs, Rodrigo Capella.

  4. Karam disse:

    Respeito a opinião dele, mas acredito que fazer essa “reserva de mercado” é nadar contra a correnteza da própria internet tão democrática quanto problemática em alguns casos. Quem sou eu para dizer que só os RPs ou só as agências devem fazer isso ou aquilo. Existem agências digitais boas e ruins, assim como RPs bons e ruins – e isso não é o diploma que determina.
    Comecei a questionar a validade dessa reserva de mercado com o Drauzio Varella. Achava um absurdo um médico fazer jornalismo até ler o belíssimo livro-reportagem dele “Por um fio”, um dos mais profundos que já li.

  5. Pingback: Blog OQRP » Blog Archive » Mídias Sociais: Para especialista, apenas agências de comunicação e RP devem produzir conteúdo

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